Ele e Ela
Perfume, a história de um assassino
Dotando cada plano de caráter único, indisfarçavelmente construído sob a moldura e a inspiração do texto original, em Perfume, a história de um assassino, Tom Tykwer amplia o entendimento de montagem, buscando na obra original não uma desculpa para filme de época, mas uma decupagem de sentidos em forma literária que norteia todo seu projeto estético.
O filme é uma adaptação do clássico livro de Patrick Suskind. Não se trata de uma típica adaptação de storyline, como comumente é feito, quando a obra original serve apenas de base para uma narrativa que irá reduzir os personagens e seus dramas a estereótipos e gêneros maniqueístas. Cada fotograma corresponde não a uma palavra, não a um parágrafo, mas a um sentimento cuidadosamente captado nas descrições precisas do livro original.
Nota:
Ele - 8,5
Ela - 9,9
Richard é um palestrante motivacional fracassado, que enfrenta o descrédito da esposa e a repulsa do filho Dwayne (Paul Dano), que nunca fala com ele. O avô (Alan Arkin) cativa com sua falta de pudor, quebrando a monotonia em um ambiente em que não existe comunicação. A pequena Olive, a Miss do título, é uma garota encantadora, que tem um sonho: ganhar o prêmio de Miss Raio de Sol, uma despropositada competição infantil no interior da Califórnia. O tio de Olive, Frank (Steve Carell é mais uma grande atuação), é um homossexual que acabou de tentar o suicídio. Quando ele chega à casa, se torna automaticamente um membro
Com este filme, a dupla de direção Jonathan Dayton e Valerie Faris estréia em longa-metragem, repetindo uma parceria que se iniciou em 1983, com o programa da MTV americana The Cutting Edge, que apresentava clipes do que viria a ser chamado o new wave e o alternative. Mais recentemente, já haviam dirigido juntos clipes de bandas conhecidas, como Offspring (“She’s Got Issues”) e Weezer (“Say It Ain't So"). A música tem grande importância neste filme, que poderia ser facilmente chamado de indie, seja por conta da trilha sonora, seja pela imagem clean, com paisagens bucólicas que encantam com melancolia. Ao final, temos um retrato irônico de uma américa cada vez mais estranha, até mesmo para os americanos.
Nota:
Ele - 8,0
Ela - 8,5
Por Ela
CINEMA ABSINTO ou “Quando você descobre a videoarte e começa a filmar um monte de maluquice (e acha massa)”
Trabalho de Faculdade realizado no começo de 2004. Um vídeo delírio resultado de saídas noturnas e algumas doses a mais de Absinto. O vídeo trata do tortuoso caminho do processo criativo. Equipe: Iris de Oliveira, Edson Bastos, Susana Ramalho e Valnei Nunes.


2 comentários:
Iris e Davi,
lembro-me perfeitamente da sensação indescritível de encanto e êxtase que experimentei quando li "O perfume", ainda no ano de seu lançamento. Não é de se estranhar que eu tenha corrido para o cinema assim que a adaptação estreou nas salas daqui de Goiânia. Não fiquei decepcionado, mas não me senti tocado pelo filme. Achei o roteiro didático demais, linear demais... Está certo que todos aqueles assassinatos - que não chocam a platéia de jeito nenhum - preparam para o momento apoteótico da película. Mas não sei, poderia ter resultado em algo mais envolvente.
Abração.
Concordo com você, Demas. O roteiro perde ritmo no meio, pelo motivo que você falou. Mas considerei também o poder das imagens, que a meu ver superam o problema, e colocam o filme em um patamar diferenciado. Também, você há de concordar, nenhum filme pode ser comparado ao poder da imaginação de um leitor. Mas eu acho que este chegou perto. Abraço:)
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